segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

feirante


...rapadura é doce...
...mas não é mole não...
...então...
é preciso estender a mão a quem amamos...
e caminhar quantas milhas preciso for ao seu lado...
é preciso ter coragem pra sair da zona de conforto...
é preciso manter a palavra e orar três vezes ao dia...
é preciso saber que vai ser muito árdua a jornada...
mas vai valer a pena...
e lembrar que um anjo está nos protegendo, e se necessário for...
pedir ao Pai que envie reforços...
e perseverar...
e ter esperança...
...então...

Arruma a cangalha na cacunda 
Que a rapadura é doce mas não é mole não...

E genipapo no balaio pesa
Anda, aperta o passo pra chegar ligeiro

Farinha boa se molhar não presta
Olha lá na curva a chuva no lagedo

Quem foi que te disse que a vida é um mar de rosas?
Rosas têm espinhos, e pedras no caminho

Daqui até a cidade é pra mais de tantas léguas
Firma o passo, segue em frente
Que essa luta não tem trégua
Fica na beira da estrada quem o fardo não carrega
A granel, felicidade não custeia o lavrador

Vamos embora que a jornada é muito longa
E não há mais tempo de chorar por mais ninguém

Lá na feira a gente compra,
A gente vende,
A gente pede,
Até barganha aquilo que comprou.

E te prometo que depois, no fim de tudo, 
Na Quitanda da Esperança
Eu te compro um sonho de açúcar mascavo
Embrulhado num papel de seda azul

...pra te consolar...

João Alexandre

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